Catástrofe em Brumadinho

Alunos | Destaque | Ensino Médio

08

fev 2019

Um mar de lama que devastou tudo o que estava em seu caminho

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De Yarnton Manor, no Reino Unido, Rafael Fonseca Cruvinel (Estudante da 3ª Série EM)

Às 12h28min do dia 25 de janeiro de 2019, a Barragem 1 da Mina Córrego do Feijão, localizada na cidade de Brumadinho, em Minas Gerais, se rompeu, criando um mar de lama que devastou completamente tudo o que estava em seu caminho. Foi a segunda vez que uma barragem de rejeitos de mineração se arrebentou no Estado e, desde então, muitas perguntas vêm surgindo em torno do assunto. Quais foram as causas? O porquê de essas barragens continuarem se rompendo? Como é a sensação de estar no local do acidente? O objetivo deste texto é tentar encontrar algum indício de resposta para algumas dessas perguntas.

Em primeiro lugar, é importante ressaltar que ainda não estão claras as causas do rompimento da barragem. O que aconteceu está sendo investigado pelos órgãos judiciais competentes. E tudo o que existe por enquanto são suposições do que possa ter acontecido na tarde de sexta-feira, dia 25. A teoria mais aceita, por enquanto, é a de que a barragem se rompeu devido a uma liquefação, a mesma causa do rompimento da Barragem de Fundão, em novembro de 2015, na cidade de Mariana. Entretanto, ainda não se sabe por que essa liquefação ocorreu. Para aqueles que não sabem, liquefação se define como a passagem do estado gasoso ou sólido para o estado líquido. De acordo com dados que teriam sido divulgados pela Vale, empresa responsável pela Mina, não havia movimentação de água dentro da barragem. Cabe lembrar que esta é somente uma teoria e, portanto, não pode ser considerada como verdade absoluta.

Além disso, outro fator que pode ter colaborado para o ocorrido é o fato de que a barragem foi construída sem a fiscalização adequada. Uma engenheira civil, especialista em estruturas de barragens, focada em estruturas de concreto, que não quis ter sua identidade revelada, afirmou que as barragens de minas são diferentes das barragens de usinas hidroelétricas, por exemplo, porque, neste último caso, a barragem é vista como de extrema importância pelo investidor, uma vez que, através dela, consegue-se o lucro diretamente. Portanto, de acordo com ela, a fiscalização deste tipo de barragem é feita com muita cautela. Já no caso das barragens de minas, a única função é conter os rejeitos, ou seja, as sobras do processo de garimpo. Sendo assim, essas barragens são construídas sem a fiscalização adequada. Após o acontecido com a barragem de Mariana, a legislação está mudando. A especialista afirmou, porém, que ainda é necessário prestar muita atenção em barragens mais antigas, como a outra barragem de Brumadinho e a de Mariana, pois elas ainda apresentam risco de rompimento.

E quem estava lá na hora do acidente? Como tudo aconteceu? Uma pessoa que trabalha na Mina de Sarzedo, de propriedade de outra mineradora, na divisa com a Mina do Córrego do Feijão, e que também não quis se identificar, afirmou que foi informada por trabalhadores da Vale de que o refeitório da empresa estava lotado na hora do acontecimento, uma vez que era horário de almoço. Relatos dão conta de que uma vítima, em conversa com o marido no telefone, teria dito estar em meio a um terremoto. Outra teria dito que conseguiu salvar muitos amigos na carroceria da caminhonete, mas que não conseguiu salvar o próprio filho que estava almoçando no refeitório. Todos teriam mencionado que a sirene não tocou e que foi tudo muito rápido. Esta trabalhadora da Mina de Sarzedo disse, ainda, que, por telefonema, um amigo que estava no refeitório da Vale disse que a lama havia matado todo mundo. “Quando ela rompeu, com 7 segundos, já tinha atingido toda área administrativa e refeitório”, teria contado. Ela também disse que a mídia começou a relatar o que havia acontecido aproximadamente 30 minutos depois que tudo começou.

O Brasil não é o primeiro país a sofrer com o rompimento de barragens. A vila de Aberfan, no Reino Unido, por exemplo, passou por uma tragédia semelhante quando uma barragem de uma Mina de Carvão se rompeu e atingiu uma escola. Ao todo, 116 crianças e 28 adultos morreram. A tragédia completou 50 anos em 2016 e, para relembrar a catástrofe, a universidade de Cardiff organizou uma conferência para refletir sobre o impacto da cobertura da mídia sobre o acontecido.

Uma cidade em colapso, centenas de vidas perdidas e nenhuma solução definitiva. Este é o cenário em que a cidade de Brumadinho se encontra. Nós, como mineiros e, acima de tudo, brasileiros, não podemos deixar essa tragédia passar em branco e precisamos aprender com os erros para que nada parecido jamais se repita, pois um acontecimento de tal tamanho terá consequências que marcarão a história do nosso país para sempre.

Fontes:
http://news.bbc.co.uk/onthisday/hi/witness/october/21/newsid_3194000/3194860.stm
https://www.cardiff.ac.uk/news/view/392849-aberfan-conference-remembering,-forgetting-and-moving-on
https://brasil.elpais.com/tag/rompimento_presa_brumadinhohttps://www.google.com.br/amp/s/g1.globo.com/google/amp/mg/minas-gerais/noticia/2019/02/01/vídeo-mostra-o-momento-exato-em-que-barragem-da-vale-rompe-em-brumadinho.ghtml
https://www.google.com.br/amp/s/g1.globo.com/google/amp/mg/minas-gerais/noticia/2019/02/01/tudo-indica-que-barragem-se-rompeu-por-liquefacao-diz-autoridade-de-minas-gerais.ghtml

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