6º
DIA, 1º EXERCÍCIO: (PREPARANDO A ELEIÇÃO)
COM ELE,
POR ELE, NELE, AQUI E AGORA, PARA A VIDA DOS SERES HUMANOS,
SEM ENGANOS.
GRAÇA:
- Pedir conhecimento interno do Senhor que por mim se fez Homem para
mais amá-lo e segui-lo.
- Pedir
conhecimento das ciladas do inimigo e ajuda para delas me
livrar.
- Pedir
conhecimento da verdadeira vida que Jesus ensina e graça para
o imitar, (aderindo, livre e resolutamente, à sua vontade me
atraindo e me movendo para acompanhá-lo na sua
missão)
MATÉRIA:
Continuam as contemplações da
vida de Jesus; dá-se uma atenção especial visando o compromisso, à
opção por ele, à eleição, em termos inacianos.
Uma opção bem feita requer a
descoberta da amorosa vontade de Deus a nosso respeito, sem enganos
e uma decisão da nossa liberdade, sem delongas.Com muito
amor!
Esta meditação visa
aperfeiçoar o nosso discernimento levando-nos à descoberta da nossa
missão, ou vocação, da nossa vida verdadeira, sem os enganos ou
ciladas do inimigo.
Santo Inácio diz para
imaginar:(EE
136)
Por um lado, o caudilho de
todos os inimigos como se estivesse sentado numa grande cadeira de
fogo e fumaça, naquele grande campo de Babilônia, em figura horrível
e aterradora.Considerar como convoca e espalha seus enviados por todas as
cidades, não omitindo nenhum lugar, estado de vida ou pessoa em
particular.Considerar
também a alocução que lhes dirige incitando-os a lançar redes e
cadeias enganosas, levando as pessoas a apreciarem, cada vez mais, o
ter bens, o gozar de prestígio, de honra, de poder e, assim,
chegarem à grande soberba.
Por outro lado, bem ao contrário, imaginar
Cristo Nosso Senhor num grande campo daquela região de Jerusalém, em
lugar humilde, belo e gracioso.Considerar como Jesus,
Senhor do Mundo inteiro, escolhe tantas pessoas e os envia por todo
o mundo a todos os lugares e estados de vida e a todas as
pessoas.Considerar
também a alocução que lhes dirige recomendando-lhes que procurem
ajudar a todos os levando a apreciar a simplicidade, o
desprendimento das coisas e glórias do mundo, ficando assim livres,
humildes, abertos para acolher a vida nova do
Reino.
Esta meditação ajudará a
perceber e discernir as diversas moções que os vários espíritos
causam no exercitante.E através delas os apelos do Senhor e as insídias do
inimigo.
Vamos pedir a graça para
perceber quando é Jesus e quando é o inimigo que está nos movendo e
atraindo.Vamos pedir
para sentirmo-nos bem com o jeito e as coisas de Jesus, para sermos
recebidos entre os seus, vestir a sua camisa, viver sob sua
bandeira!(EE
136).
Estou mesmo percebendo Jesus
me tocando, me chamando?Não há enganos?Estou discernindo bem?
Textos:
Lc 4,1-13 Tentações de
Cristo.
Mt 13 As parábolas do
Reino.
1Cor13A vida no
amor.
Gl 5,16-26Os dois
espíritos.
Rm 8,1-17Vida no
Espírito.
Ef 4,17-32Do homem velho para o homem
novo.
Ef 5,1-20 Sede imitadores de
Deus.
Mt 5,1-16As bem-aventuranças, sal da
terra e luz do mundo.
2 Cor 7,8-16Tristeza que vem de
Deus
Colóquio:
Pedir insistentemente a Maria Santíssima, a Jesus e ao Pai
que me conceda a graça de ter os mesmos sentimentos que são os
sentimentos de Cristo Jesus. De apreciar as coisas e os
acontecimentos como ele aprecia.De perceber logo por onde
anda o seu Espírito.De
ficar sempre ao seu lado; na simplicidade, no serviço, na humildade
alegre.Que eu me
despoje de meu eu egoísta para ficar sempre pronto para unir-me e
acompanhar a Jesus.Que
o Senhor me conceda um coração sensível; a circuncisão do
coração.Longe de mim
um coração endurecido!
NOTA:
Revendo a caminhada
descobrimos que nossa vida interior constata um encontro entre
pessoas.
Face ao "eu", diante da minha
liberdade, encontra-se o "outro" que solicita minha
adesão.
- "outro", o
próprio Deus, Criador e Senhor.
- "outro", os
instintos egoístas, o mal, os maus espíritos, o inimigo do
homem.(EE
32)
Nosso universo interior, nossa vida
interior, não é mero fluxo de estados mentais ou afetivos que
vão se sucedendo indiferentemente, mas lugar de decisões da liberdade.Através das ações que se
seguem destas decisões da liberdade é afetada toda a vida do
exercitante, e, conseqüentemente, dá-se também uma influência na
Sociedade.
Decisões que são tomadas não
simplesmente como
escolha de um bem que se
apresenta à nossa liberdade, mas sempre como resposta à descoberta de uma
proposta-presença de um "outro" que solicita a minha
adesão.
A
dinâmica, pois, da vida interior, é eminentemente dialogal e
comprometedora.O
destino de minha liberdade não se joga na solidão de um monólogo,
diante de valores meramente objetivos, mas no confronto com pessoas
que solicitam a minha solidariedade e adesão em vista de uma
comunhão de vida.Comunhão com Jesus cristo, vida plena e verdadeira, ou,com o inimigo, vida enganosa
e falsa
Acertamos em nossas opções
quando, com nossa liberdade respondemos aderindo, resolutamente, aos
apelos-presença-viva de Jesus atraindo e movendo nossa
liberdade.Igualmente
quando repelimos a enganosa e frustrante presença do
inimigo.
Segundo S. Inácio há três
tempos quando podemos tomar nossas decisões aderindo ao Senhor e
descartando o inimigo.
1oTEMPO: "O primeiro tempo é
aquele em que Deus Nosso Senhor move e atrai a vontade de tal modo
que a pessoa espiritual segue o que lhe foi mostrado, sem duvidar
nem poder duvidar.Assim o fizeram São Paulo e São Mateus, ao seguirem a Cristo
Nosso Senhor" (EE 175).
2oTEMPO: "O segundo é aquele,
em que se adquire muita clareza e conhecimento, (de Deus
Nosso Senhor movendo e atraindo a vontade e o inimigo perturbando a
caminhada) através da experiência de
consolações e desolações, bem como da experiência do discernimento
dos vários espíritos“ (EE 176).
Se a decisão não se faz nem no 1o,
nem no 2otempo pratica-se o 3otempo (que não é
auto-suficiente) (EE 178,183,188).
3oTEMPO: "O terceiro tempo é
... quando a alma não é agitada por vários espíritos e usa de suas
potências naturais livre e tranqüilamente" Feita a deliberação
apresentar em oração ao Senhor para que ele a aprove.(EE
183).