EXERCÍCIOS
ESIRITUAIS NA VIDA COTIDIANA (EVC), PERSONALIZADOS
PRIMEIRA SEMANA: PRINCÍPIO E FUNDAMENTO - IV
Sempre ao vosso dispor para vos servir de todo o coração.
Textos do XXIX Domingo Comum (Ano A)
Vivendo
o Princípio e Fundamento.
O
Homem é criado; todo o fundamento da nossa existência
não está em nós, mas em Deus. Construir fora
de Deus é engano; é construir quimeras, ilusões,
aparências que conduzem ao fracasso.
O agir, porem, do ser humano fundamentado em Deus é digno
de todo louvor. Pois o homem é criado para viver e agir em
parceria com Deus. Com Deus que é beleza, luz, poder, verdade,
bênçãos e amor. Repleto de humildade e de agradecimento
o ser humano admira e louva o seu parceiro.
O homem é criado para louvar, reverenciar e servir a Deus
Nosso Senhor e mediante isso atingir a sua vida em plenitude (salvar
a sua alma). O homem é chamado, pois, para atuar, para agir,
para servir a este Deus, que benignamente respeita a liberdade do
homem, respeita sua livre decisão e aguarda amorosamente
sua colaboração para a realização de
sua obra, de seus projetos e seus amorosos sonhos.
Sem a colaboração livre e amorosa do ser humano não
se realiza a obra de Deus! Frustram-se os projetos e os sonhos do
próprio Deus! Para Santo Inácio de Loyola uma decisão
humana nunca era um assunto neutro. Acreditava com fé intensa
que o Senhor escreve a história do mundo conosco. Ele, o
Senhor Jesus, deseja, como no caminho de Emaús, acompanhar
pessoalmente a todos e a cada um de nós na estrada da existência
cotidiana para transformá-la, ele conosco e nós com
ele, numa obra de amor que leve sempre a mais amor.
Em outras palavras: a realidade é totalmente uma obra a dois:
obra de Deus e do ser humano. Fora de Deus é quimera; sem
a livre colaboração do homem, ela se frustra! O verdadeiro
humanismo afirma a ação livre e criadora do homem,
contudo, esta não é totalmente autônoma, ela
se fundamenta em Deus. A liberdade de Deus e a liberdade do homem
se encontram em gestos de amor! Eis aqui a verdadeira história
humana.
Os
textos da Missa de XXIX Domingo Comum (Ano A) nos ajudam a assimilar
esta realidade.
Na
oração: pedimos a graça de estar sempre ao
dispor de Deus e servi-lo de todo o coração.
Na
Primeira Leitura (Is 45,1.4-6) encontramos a proclamação
de que há um só Deus, fora dele não há
outro: "Eu sou o Senhor, não existe outro; fora de mim
não há Deus".
No
Salmo responsorial: Ó família das nações,
daí ao Senhor poder e glória! Porque um nada são
os deuses dos pagãos!
Na
Segunda Leitura (1Ts 1,1-5): São Paulo recorda a ação
dos cristãos sob a influência do Espírito Santo:
"recordamos sem cessar a atuação da vossa fé,
o esforço da vossa caridade e a firmeza da vossa esperança
em nosso Senhor Jesus Cristo".
No
Evangelho (Mt 22,15-21): Ao responder à pergunta insidiosa
sobre o tributo a César reafirma a nossa total dependência
de Deus, sem negar a nossa plena atuação.
Aprouve
a Deus ao criar, condicionar esta mesma criação e
o seu desenvolvimento, à livre colaboração
do ser humano. Deus, livremente, com grande consideração
ao ser humano, aguarda respostas positivas dos seres humanos às
iniciativas divinas. Inácio acreditava profundamente que
sua mística não seria tanto contemplar Deus em sua
essência quanto discernir o que Deus deseja e empenhar-se
totalmente na realização destes desejos. Santo Inácio
estava deslumbrado ao descobrir que a adesão da humanidade
ao plano de Deus era radicalmente decisiva para ele (Deus) que respeita
amorosamente nossa liberdade. (Kolvenbach em Itaici, 1998) Sem a
adesão do ser humano não se realiza o plano de Deus.
Por essa razão Inácio termina numerosas cartas de
sua vasta correspondência com esta oração: "Rogo
ao Senhor que nos dê a todos sua graça para que sintamos
sempre sua santíssima vontade e a cumpramos inteiramente".
"Inácio
seguia o Espírito, não se adiantava a ele. Desse modo,
era conduzido com suavidade para o desconhecido... Pouco a pouco,
o caminho se abria e ele o percorria, sabiamente ignorante, com
o coração posto simplesmente em Cristo. (Nadal, Diálogos,
n. 17. FN II, p. 252)