Aparições do Ressucitado II


EXERCÍCIOS ESPIRITUAIS NA VIDA COTIDIANA (EVC), PERSONALIZADOS
QUARTA SEMANA II:
CONTEMPLAÇÃO DA APARIÇÃO DE JESUS RESSUSCITADO À SUA MÃE SANTÍSSIMA, COMO TAMBÉM DAS OUTRAS APARIÇÕES II.
DIANTE DE TANTA ALEGRIA E GOZO DE CRISTO NOSSO SENHOR IR RECEBENDO A CONFIRMAÇÃO DA ELEIÇÃO FEITA.

Glosando Maurice Giuliani, sj, A Experiência dos EE na vida, Edições Loyola, 1991 (Capítulo 15 Confirmar a Decisão).

A eleição foi feita. O exercitante encontrou um estado de vida, ou, talvez, uma orientação mais segura de como levar a sua vida.

Agora contemplando o mistério pascal, em sua dupla face de morte e ressurreição, o exercitante vai receber uma confirmação, uma unção, um selo, um sinal da aliança realizada. Quer contemplando a livre, dolorosa e amorosa entrega de Jesus, como contemplando a alegria e gozo de sua nova vida de ressuscitado (agora na Quarta Semana), brota no exercitante uma confirmação, como que uma unção, um selo, sinalizando que o seu lugar é mesmo por aí, entregando-se totalmente ao Senhor como foi concretizado na eleição.

Nas contemplações não há mais a preocupação ou o desejo de descobrir para onde, para que aspetos da minha vida o Senhor está me movendo e atraindo. Não se trata mais de saber o que fazer da minha vida. Há um silêncio, um espanto! Estupefação! Sou convidado a uma saída de mim mesmo, a um descentramento para entrar numa realidade misteriosa que me é mostrada e que deverá muito mais ser recebida, que buscada. Que me põe em companhia do Senhor cheio de gozo e de alegria.

A Ressurreição do Senhor não é para o exercitante que vive da fé uma realidade até então totalmente desconhecida. À luz da Ressurreição o exercitante contemplou os mistérios da vida de Jesus e mesmo a sua Paixão.

Arrastado para mais longe na compaixão é levado a participar nos sentimentos de Jesus Ressuscitado. Como se deu com o Filho que passou, em seu sacrifício e em sua morte, da oferta de si à plenitude recebida do Pai, também o retirante recebe, ao progredir na graça da compaixão, a luz que ilumina o caminho percorrido e a certeza de que é acolhido por Deus.

Uma alegria lhe é dada! A participação na glória e na alegria de Jesus acolhido na sua longa oração de entrega até a morte. "Ele se esvaziou e si mesmo... por isso Deus o exaltou".

O exercitante é levado a experimentar o sentimento de ser acolhido como o Cristo e com ele.

"Só depois de ter feito meditar sobre os "efeitos" da Ressurreição apresenta Santo Inácio o "ofício de consolador"(224) exercido por Jesus Cristo. Esta seqüência é cheia de sentido. Pelos efeitos da Ressurreição, Deus, "que parecia ocultar-se na Paixão, aparece agora" em suas aparições, quer dizer, para o retirante, através da experiência concreta de uma vida unificada pelo selo posto em sua eleição. Mas, ao "consolá-lo", Cristo não modifica o tecido da existência cotidiana, descobre seu sentido e seu valor. Na Terceira Semana a divindade "parecia se ocultar"; na Quarta Semana, "se manifesta"; de uma a outra, se dá a passagem da graça pascal, que não cancela o sofrimento e a compaixão, mas que revela seu peso de glória divina. Contemplando a ressurreição, o retirante não entra num mundo onde
estariam ausentes o sofrimento, a cruz, a morte, mas recebe este mundo, com suas inelutáveis realidades, como o lugar onde o acompanha doravante a "consolação" do Espírito." (Idem pág 136-137)

"Última etapa da confirmação da eleição. O retirante se acha remetido à própria história para vivê-la na fidelidade cotidiana ao mistério total de Cristo. A eleição é simplesmente integrada sem violência. Talvez tenha provocado uma mudança de estado, ou um novo comportamento nas atividades e nas atitudes. O essencial entretanto é outro: o retirante comprometeu sua liberdade, mas, ao dar o "sim" que a aprova e confirma, é Deus quem doravante garante o fruto da decisão tomada. A última contemplação dos Exercícios é a da Ascensão ("até a Ascensão inclusive", 226): o olhar para o céu se fortalece e se prolonga no olhar de caridade para os homens e para a vida de cada dia." (Idem pág. 137)

"Em qualquer modalidade dos Exercícios, o movimento de confirmação é uma experiência que pode ser extremamente forte. Mas nos Exercícios "na vida" esta experiência é evidentemente marcada de modo típico pela presença do cotidiano. Desde o tempo dos Exercícios, o retirante enfrenta uma realidade que põe à "prova" sua decisão, no conteúdo que aí se exprime, no valor das certezas, na consciência das fragilidades e das fraquezas. A duração da Terceira e Quarta "Semanas" permite então uma descoberta privilegiada do mistério pascal como centro de toda a vida cristã no coração do mundo." (Idem pág. 137

 
 

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