EXERCÍCIOS ESPIRITUAIS NA VIDA COTIDIANA (EVC), PERSONALIZADOS
PASSOS PRELIMINARES: AMBIENTAR-ME - II
NA ESCOLA DO MESTRE DIVINO
LIBERDADE EXIGENTE COMPROMETIDA NO SENHOR.
GRAÇA
A SER ALCANÇADA:
- De conseguirmos a transparência das pessoas, das coisas
e dos acontecimentos para nos aproximar de Deus, experimentá-lo
e escutá-lo, vivermos e agirmos com ele, no Cristo!
- De perceber o convite amoroso que Deus nos faz, a cada um de nós,
de uma união, de uma aliança com ele, para todas as
circunstâncias de nossa vida!!
- De ter, nestes EE e em toda a minha vida, grande ânimo e
disponibilidade para com meu Criador e Senhor, oferecendo-lhe, com
todo empenho pessoal, todo meu querer, minha capacidade de decisão
e todas as minhas faculdades e sentimentos.
MATÉRIA: O Pe. Kolvenbach, Superior Geral
dos Jesuítas, falando sobre os EE diz: "Ele (os
EE) não tem nada de um manual de pedagogia ou de um tratado
de didática. Trata-se de um dossiê funcional, um conjunto
operativo constituído de uma série de documentos pertencentes
a gêneros literários muito diferentes, mas todos com
o objetivo preciso de propor concretamente um caminho que conduzirá
aquele que fizer os EE a se deixar educar pelo Senhor. Ele poderá
assim buscar e discernir o sentido de sua vida e seu destino pessoal
na terra sob a iluminação desse que nos espera no
céu e retirar então os resultados de tal descoberta
assumindo as conseqüentes opções e as decisões."
Falando sobre o que dá os EE o Pe.Kolvenbach diz: "Nem
juiz nem guru, ele utiliza a seu modo o material fornecido por Inácio
e o adapta às necessidades daquele que faz os EE, desempenhando
o papel de um intermediário no processo educativo. Ele deve,
com efeito, ao mesmo tempo iniciar e motivar tudo e ainda passar
despercebido diante daquele que será, no fim das contas,
o verdadeiro educador, a saber, o próprio Deus." (Kolvenbach,
Educação Inaciana, desafios na virada do milênio,
Coleção Ignatiana, 43, pág.11)
"A primeira vista, os EE poderiam
dar a impressão de uma espiritualidade individualista: eles
impelem o homem a se pôr diante de Deus, sozinho com Ele,
e, ao mesmo tempo, isolam o homem e seu eu: o Cristo nasceu por
mim, for crucificado por mim, eu que ainda estou em vida. De fato,
Inácio lidou com a idéia de que ninguém pode
substituir o outro em sua liberdade e que Deus, que chama a cada
um por seu nome, espera uma resposta livre e pessoal a seu dom pessoal
de Criador e Salvador. Longe de fechar o eu num isolamento dourado,
Inácio nos faz tomar consciência de nossa responsabilidade
pessoal na história do bem e do mal. Colocando a nu o triste
fato de que, por todo tipo de conveniência e de compromisso,
somos traidores numa história de morte, ele abre a partir
disso mesmo a perspectiva de nossa solidariedade ativa e pessoal
com essa outra história que Deus, por meio do Cristo, em
seu Espírito, está escrevendo conosco para que seu
Reino se concretize." (Kolvenbach, Educação
Inaciana, desafios na virada do milênio, Coleção
Ignatiana, 43, pág.20).
"É verdade que durante a vida de Inácio, e de
maneira crescente depois de sua morte, os jesuítas tiveram
medo da liberdade exigente e da responsabilidade intensamente assumida
no Senhor, que Inácio desejava ver em seus companheiros.
Conhecedores de nossos limites e fraquezas, os sucessores de Santo
Inácio julgaram mais prudente fundar a Companhia e a COMUNIDADE
DE VIDA CRISTÃ (CVX) sobre regras e práticas obrigatórias,
sem dúvida também para proteger a espiritualidade
inaciana". "Eles permanecem inacianos, mas dever-se-á
esperar 1967, para se reencontrar nos textos da CVX e da Companhia
a plenitude da experiência inaciana, sem excluir sua dimensão
mística e sem abstraí-la de uma radicalidade que certamente
não está reservada apenas aos jesuítas."
"Inácio não podia
trabalhar com pessoas passivas, sem ideal e sem projetos. Pouco
importava que esses projetos fossem loucos ou desejos desmedidos.
O importante é ser movido pelo desejo de parecer de alguma
maneira com nosso Criador e Senhor Jesus Cristo e de imitá-lo.
E se pela fraqueza humana ou pela própria miséria
alguém não sente fortemente esse desejo, que experimente
pelo menos, dizia Inácio, o desejo desses desejos..."
(Pe. Kolvenbach, Palestra na Assembléia Mundial da CVX, em
Itaici, aos 25/07/98, Pronunciamentos no Brasil, Ed. Loyola, 1998,
pág.34).
Os EE nos preparam e dispõem para perceber a nossa vida de
cada dia mais em profundidade. No nível espiritual onde os
espíritos de Deus e do mal atuam em nós, solicitando
a adesão de nossa liberdade! Com a graça divina, aderindo,
com fé, à sua presença vivificante, poderemos
experimentar Deus na sua bondade, na sua misericórdia, na
sua grandeza!! Poderemos também experimentar, para nos livrar
delas, as pegadas do mau espírito em nós e suas insidiosas
e enganadoras propostas.
Deus quer fazer um pacto, uma aliança conosco para nos comunicar
a sua vida e nos fazer parceiros em sua obra! Vamos nos deixar moldar
como um barro, contudo, bem consciente e responsável, na
mão do oleiro, artista consumado e exímio respeitador
da nossa liberdade!
A aliança de Deus com a pessoa humana se realiza, não
mais através de uma lei dada por Deus, mas pela presença
do próprio Deus, na pessoa de seu Filho Jesus que, pela ação
do Espírito Santo, habita e vivifica o íntimo da pessoa
humana, aguardando, respeitosamente, a acolhida da própria
pessoa humana, através da decisão de sua liberdade.
Como criaturas somos totalmente dependentes de Deus que nos cria
e nos redime. Contudo como criaturas livres condicionamos, pela
atuação da nossa liberdade, o próprio desejo
e a mesma ação de Deus!! Sem Deus nada somos e nada
podemos; sem a minha resposta livre e responsável, o desejo
e ação de Deus se frustram.
Textos
bíblicos que poderão ajudar nas orações:
Jo 7,37-46 De seu seio manarão rios de água viva...
"Por que não o trouxestes?" Jamais homem algum
falou como este homem...
Lc 1,67-79 Bendito seja o Senhor que visitou...
Sl 42-43 (41-42) Como um animal sedento...
Sl 25 (24); 27 (26); 63 (62) Como a terra seca do sertão...
Jo 11,1-44 Eu sou a ressurreição e a vida... "Crês
nisso?"
Gn. 9, 8-17 Eis que estabeleço minha aliança convosco...
Jr. 32,40-44 Com eles firmarei pacto eterno.
Jr. 18,1-12 Como a argila (consciente) na mão do oleiro.
Lc 7,24-30 Todo o povo ouviu... até os cobradores de
impostos... Mas os fariseus e mestres da lei... tornaram inútil
para si mesmos o projeto de Deus.
Colóquio:
Fale com suas próprias palavras como um amigo fala com seu
amigo. Retome o que surgiu na oração; o que o Espírito
Santo lhe inspirou e fale a respeito com Jesus, com Na. Sra., com
os Santos... As despedidas são um momento forte de diálogo,
de afeto. Termine sua oração despedindo-se do seu
amigo Jesus, de Nossa Senhora., dos santos que apareceram em sua
oração.
Por fim reze o PAI NOSSO.
"Nenhum homem se conhece enquanto não houver se encontrado
em Deus".
Monsenhor Oscar Romero
VINDE, JESUS,
BRILHE NO MUNDO A VOSSA LUZ.
VINDE, SENHOR,
REINE ENTRE OS HOMENS O VOSSO AMOR.
... Fl.1,21-26