Revisão

EXERCÍCIOS ESPIRITUAIS NA VIDA COTIDIANA (EVC), PERSONALIZADOS
REVISÃO DO EXERCÍCIO DE ORAÇÃO

          "Terminado o exercício, pelo espaço de um quarto de hora, sentado ou caminhando, examinarei como me saí na contemplação ou meditação. Se mal, verei a causa de onde procede, e, quando descobrir, vou arrepender-me a fim de corrigir-me para o futuro. Se bem, agradecerei a Deus nosso Senhor. Procederei do mesmo modo na próxima vez."
          (EE 77, 5ª adição).

     Aquele que faz os exercícios espirituais quando se dedica a um exercício de oração está procurando, tentando, experimentando entrar em maior comunhão com Deus.

     Após as tentativas impõe-se uma revisão, ou voltar-se sobre a experiência, para poder avaliá-la e tirar algum proveito.

     Em um exercício de oração há muito de experimentação e de surpresa. Não dominamos todo o processo. Sabemos que se trata de uma procura, da busca do encontro de liberdades. "No ponto em que achar o que quero, vou deter-me, sem pressa de passar adiante" (EE 76). Preciso, pois, ao terminar o meu exercício de oração voltar-me sobre ele e revê-lo para certificar-me do que aconteceu.

     Podemos nos lembrar daquele agricultor diligente que estava sempre procurando as melhores sementes e os melhores adubos. Com todo carinho preparava os seus canteiros com as mais recentes novidades da praça. Ao despertar cada dia, curioso e cheio de esperanças, dirigia-se a sua horta e examinava cuidadosamente cada canteiro para ver os resultados alcançados.

     Vamos, pois, terminado o nosso exercício de oração voltar sobre ele para ver os resultados obtidos.

Abaixo algumas indicações para se fazer o revisão do exercício da oração:

+ Revejo se fiz a minha parte: Preparei a oração? Fiz bem os atos próprios do início da oração? Exercitei a memória, a inteligência e a vontade, atento às moções de Deus? Nas contemplações procurei ver as pessoas, ouvir o que falam, olhar o que fazem e depois refletir para tirar algum proveito? Dialoguei, com palavras ou sentimentos? Dei espaço para Deus? Saboreei sem ter pressa de passar adiante? Fiz um colóquio no fim da oração?

+ O que houve de Deus na minha oração ? Senti sua presença? Por quais versículos da Sagrada Escritura, por quais acontecimentos, lembranças, imagens, pensamentos ou palavras Deus mais me falou? Senti mais fé, paz, alegria profunda, confiança, ânimo, coragem?
+ Houve momentos de maior ou menor consolação em minha oração? Qual foi o seu contexto? O que me levou à consolação? Que pensamentos, desejos, impulsos, inspirações brotaram da consolação? São moções para serem acolhidas, indicam para onde o Senhor está me movendo e me atraindo.

+ O que houve do inimigo em minha oração ? Por quais versículos da Sagrada Escritura, por quais acontecimentos, lembranças, imagens, pensamentos ou palavras, o inimigo procurou me perturbar, trazendo inquietude, angústia, tristeza, desconfiança, desânimo, obscuridade, confusão, irritação... em uma palavra, gerando em mim desolação?
     + Houve momentos de maior ou menor desolação em minha oração? Qual foi o seu contexto? O que me levou à desolação? Que pensamentos, desejos, impulsos brotaram da desolação? São moções para serem afastadas, indicam a direção oposta com relação àquilo para onde o Senhor está me atraindo e me movendo.
     + Surgiram resistências diante de alguma resolução tomada? Fiquei perturbado? Fiz mudanças? Ou fiquei firme, resistindo contra a desolação até derrotá-la?
     + Tomei alguma resolução exagerada e levianamente?

+ Anote o principal: Uma frase da Bíblia. Um sentimento mais forte! Um desejo inspirado pelo bom espírito! Uma tentação do inimigo. Uma descoberta da ação de Deus. Uma descoberta da ação do inimigo. Concretamente, indicando os fatos, os passos...

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     Com vista no discernimento e nas opções que você fará concretizando o seu retiro é sempre muito importante e frutuoso, primeiramente, detectar claramente, sem enganos, os momentos de consolação verdadeira e os de desolação e de consolação enganosa. Em seguida descobrir os desejos e pensamentos que surgem nestes momentos de consolação e podem chegar até a indicar um consenso. São preciosos dados em um discernimento orante, ou do 2º Tempo de Eleição, na linguagem inaciana. A experiência de Santo Inácio lhe ensinou que na consolação nos guia e aconselha o bom espírito. Por aí, portanto, nestes pensamentos e desejos surgidos nas consolações, anda a vontade de Deus para nós.
     Igualmente pode-se tirar muito proveito percebendo os desejos e pensamentos que surgem nas desolações, onde mais nos guia e aconselha o mau espírito. Não são indicações a serem seguidas, nem vamos nos preocupar demais com estes pensamentos. Podemos, sim, aproveitá-los sabendo que indicam o contrário da vontade de Deus. Confirmam, assim, pelo oposto, as indicações e os desejos e surgidos nas consolações.

 
 

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