Parceria com Instituto Mário Penna

A parceria com o Instituto Mário Penna para a Formação Integral dos estudantes do Colégio Loyola não é de hoje. O programa começou em 2010, com a abertura do voluntariado educativo ao 9º Ano EF, aliado à necessidade de uma estratégia de aproximação de espaços desafiantes da cidade, por meio de atividades que possibilitassem a aprendizagem em um contexto hospitalar. Segundo Wanderlay Alves, responsável pelo voluntariado educativo do Colégio Loyola, as ações são diferentes em cada unidade do IMP. Atualmente, 28 estudantes se dividem em visitas ao Hospital Luxemburgo e à Casa Beatriz Ferraz.

Ao longo desses anos, os estudantes do 9º Ano, visitam semanalmente os pacientes da ala de oncologia do Hospital Luxemburgo, promovendo atividades voltadas para a humanização do ambiente por meio de conversas, leituras, brincadeiras, canções, entre outras. Divididos em grupos e acompanhados por dois educadores, os jovens visitam as salas de quimioterapia e radioterapia, onde têm contatos com pacientes doentes.

Segundo o responsável educativo, os momentos nesses espaços são diferentes. Na quimioterapia, a interação é menor, pois, geralmente, os pacientes sentem dor e gostam de descansar por causa dos medicamentos. Os estudantes levam desenhos e músicas, e, sua presença representa apoio e força a quem está em tratamento. Na radioterapia, os pacientes ficam mais atentos, esperando durante um tempo maior pelo atendimento. É um ambiente em que os estudantes têm mais liberdade para cantar e conversar, alegrando a sala de espera.

Os estudantes visitam menos a Casa Beatriz Ferraz, uma vez que ela abriga menos pacientes durante o dia. Além das visitas, desde o ano passado, a equipe do Loyola arrecada alimentos e materiais e prepara uma festa junina no local.

Apesar de as dinâmicas nas unidades do IMP serem diferentes, o grupo do voluntariado realiza momentos semelhantes antes e depois de cada visita. O primeiro momento, chamado de “conversa de contexto”, de acordo com pedagogia inaciana, é quando o grupo se reúne na pré-visita para conversar sobre questões como: abordagem dos pacientes, o que falar e o que não falar, métodos de higiene e muito mais.

Já o segundo momento, que ocorre após a visita, é quando o grupo se reúne para conversar sobre a experiência. Nesse momento, cada estudante pode comentar, por exemplo, o que mais marcou, a melhor experiência do dia, dentre outros. É um momento de reflexão da equipe sobre a experiência e o contato com o outro.

 

Quem ajuda é que mais recebe

Segundo Maria Ângela, diretora de humanização do Instituto Mário Penna, a história com o Loyola foi construída por laços que vêm se enriquecendo. As campanhas estão se intensificando e esse elo só tende a aumentar.

Para ela, a parceria é importante para ambas as instituições no exercício do voluntariado, à luz dos princípios humanitários, solidários e cristãos, agregando valores sociais. “As visitas dos estudantes às unidades hospitalares contribuem para uma rica troca de experiência com os pacientes e acompanhantes, necessitados de acolhimento diferenciado, próprio de jovens que trazem consigo a alegria e entusiasmo, muitas das vezes através da música, teatros, brincadeiras, amenizando a dor com muito amor”, conta Maria Ângela.

A diretora de humanização reforça como o voluntariado influencia os estudantes. Segundo ela, as melhorias são evidentes a cada ano, dado ao amadurecimento dos estudantes e ao profissionalismo dos coordenadores do colégio, que juntos se dedicam pela compaixão aos pacientes. Em suma, é uma ação que vai além da contribuição na ambiência institucional e sustentabilidade financeira ao Instituto Mário Penna.

 

Feedback dos estudantes

Estudante da 1ª Série, Artur Melo se envolveu bastante com as campanhas e visitas feitas para o Instituto Mário Penna em 2018. “Os pacientes eram o maior foco, além de representarem a maior lembrança que podemos ter do voluntariado. Os pacientes são as pessoas as quais estamos ajudando. Estamos ali para eles, não pela gente”.

Por ser uma experiência em que os estudantes lidam com o outro foi uma experiência difícil e delicada, segundo Artur.

“Quando estamos lá, parece que essas pessoas espairecem de tudo que é ruim nos tratamentos da doença. Parece que, mesmo que estejam enfrentando sessões de quimioterapia e radioterapia, eles estão tranquilos e se divertindo. Nós conseguimos, pelo menos, amenizar um pouco da dor deles”.

Além disso, Artur faz questão de mencionar que essa ação voluntária o impactou. Segundo ele, foi uma experiência gratificante e necessária, na qual ele conseguiu aprimorar a visão sobre o outro, isto é, colocar-se no lugar do outro e se preocupar com o outro. Em suma, segundo Artur, ações voluntárias como essa despertam a “nossa vontade de agir” e nos tornam mais proativos.


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